quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Recaída

O ano é 2016. Tudo estava fluindo normalmente na minha vida. Voltei a estudar, tinha um relacionamento que ia muito bem obrigado, era atleta de futebol de mesa que disputava os maiores campeonatos, morava em um bom apartamento, tinha tudo que queria. Até que as coisas começaram a desandar em todas as áreas.

Primeiro meu pai descobriu que estava com enfisema pulmonar, e a doença não regrediria, apenas poderia estabilizá-la. Mas não foi isso que aconteceu. A cada dia ele foi ficando mais magro, fraco, tomando mais remédios, as idas ao hospital se tornaram frequentes, a sensação de que a qualquer momento o perderia aumentava cada vez mais! Até que no dia 29/07/2016 o meu pai se foi.

Ali perdia não só meu pai, mas meu chão. O homem que era o chefe da casa, que comandava tudo. Tivemos que aprender a cuidar das finanças e das contas de casa na marra. Logo tive que deixar meu curso de técnico em informática no Senac, pois não tinha condição de pagar as mensalidades.Passamos a viver em dificuldade, recebendo doações de familiares para manter as contas em dia. Logo depois meu computador pifou.

Fechando o ano, o dono da casa em que morávamos pediu que nos mudássemos. Além do luto que não passava, o desemprego que permanecia, agora teríamos que procurar um lugar para viver. Sem fiador e sem ter como atender as exigências das imobiliárias, o desespero batia. Até que um amigo da época nos alugou um apartamento. Mas sete meses depois, tivemos que nos mudar novamente, dessa vez para um lugar que eu não conhecia ninguém, não conhecia o local, não tinha amigos.

Completando o ciclo de perdas, parei de jogar futebol de mesa após 10 anos como atleta federado, e meu relacionamento de 6 anos terminou. No mesmo período perdia duas coisas importantes. Passei a conviver somente com meu irmão e minha mãe, passava vários dias sem sair de casa.

Sem estudos, trabalho, sem o futebol, sem o namoro, com o tratamento psiquiátrico interrompido, e o isolamento cada vez maior, veio ela : a recaída.

Falava cada vez menos, me revoltava a cada dia mais, não aceitava a situação de vida em que estava, mas ao mesmo tempo não tinha força de vontade para mudar o panorama.

Logo o pensamento suicida tomava conta de mim, só me mantinha vivo por causa da minha família para não fazê-los sofrer, mas não tinha a mínima vontade de viver. O que fazia para passar os dias era esperar os jogos do Flamengo, a única coisa que me distraía durante duas horas a cada três dias. No fim de 2017 passei o pior natal e o pior ano novo da minha vida, sem ânimo nenhum, o significado dessas datas havia desaparecido....

2018 começou na mesma toada, até que dois acontecimentos começaram a  mudar um pouco as coisas... Mas isso é assunto para o próximo post.

Até lá!

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Apresentação

Acredito que tudo na vida começa com uma apresentação, um simples "olá" que seja, então vamos lá!
Me chamo Felipe, tenho 29 anos, nascido e criado na zona norte do Rio.Vivia uma vida típica de um rapaz suburbano da minha idade, até que um acontecimento mudaria minha estrutura psicológica: fui assaltado a poucos metros de casa, pela primeira vez vi que a vida poderia acabar em questão de segundos....

A partir desse ocorrido não conseguia mais sair de casa, foram vários meses assim, com o medo me rondando o dia inteiro. Não demorou muito e começaram as crises de ansiedade, sentia dores no peito que me davam a sensação de morte iminente, várias vezes ao dia. Isso acarretou em várias idas a UPA, até uma noite de natal eu passei com eletrodos no peito fazendo um eletrocardiograma. Mesmo com todos os exames diagnosticando que meu coração estava em perfeitas condições, eu sempre achava durante as crises que estava tendo um infarto e que iria morrer naquela hora, afinal naquela época (2009), depressão e transtorno de ansiedade não era algo muito falado e conhecido no nosso meio de vida.

Até que resolvemos procurar a explicação na parte espiritual. Fomos em várias igrejas pedir oração, até numa mãe de santo fomos. Quando enfim pedi ao meu pai que fosse a um médico, um psiquiatra, pois comecei a ler sobre o assunto na internet e vi que poderia estar com depressão. Mas isso não foi rápido, até chegar a esse entendimento demorei cerca de um ano e meio ou mais.

Após confirmado o diagnóstico do médico (depressão, ansiedade e síndrome do pânico) e a notícia de que teria que tomar um remédio antidepressivo e calmante, tive aquela sensação que pessoas ignorantes tem: achava que estava maluco, que era doente mental, não compreendia muito bem aquilo, confesso. Nos primeiros dias do tratamento sentia os efeitos da doença ainda mais fortes, e não entendia o porque daquilo. Até que comecei a sentir melhora, a volta da normalidade.

No período de um ano tudo começou a voltar aos eixos, praticamente todas as áreas da minha vida caminhavam muito bem (menos a parte profissional,mas falarei dela um outro dia).

Assim foi durante um período de 5 anos (2011 a 2016), até que tudo desmoronou em pouco tempo, o fundo do poço era mais fundo que eu imaginava. É sobre esse período que quero abordar aqui, até os dias de hoje, compartilhando as minhas experiências e história de vida, para além de desabafar, servir para ajudar outras pessoas que passam por situação semelhante ou tem alguém em seu convívio passando pelo mesmo.



Sejam bem vindos ao Luta de Cada Dia