O ano é 2016. Tudo estava fluindo normalmente na minha vida. Voltei a estudar, tinha um relacionamento que ia muito bem obrigado, era atleta de futebol de mesa que disputava os maiores campeonatos, morava em um bom apartamento, tinha tudo que queria. Até que as coisas começaram a desandar em todas as áreas.
Primeiro meu pai descobriu que estava com enfisema pulmonar, e a doença não regrediria, apenas poderia estabilizá-la. Mas não foi isso que aconteceu. A cada dia ele foi ficando mais magro, fraco, tomando mais remédios, as idas ao hospital se tornaram frequentes, a sensação de que a qualquer momento o perderia aumentava cada vez mais! Até que no dia 29/07/2016 o meu pai se foi.
Ali perdia não só meu pai, mas meu chão. O homem que era o chefe da casa, que comandava tudo. Tivemos que aprender a cuidar das finanças e das contas de casa na marra. Logo tive que deixar meu curso de técnico em informática no Senac, pois não tinha condição de pagar as mensalidades.Passamos a viver em dificuldade, recebendo doações de familiares para manter as contas em dia. Logo depois meu computador pifou.
Fechando o ano, o dono da casa em que morávamos pediu que nos mudássemos. Além do luto que não passava, o desemprego que permanecia, agora teríamos que procurar um lugar para viver. Sem fiador e sem ter como atender as exigências das imobiliárias, o desespero batia. Até que um amigo da época nos alugou um apartamento. Mas sete meses depois, tivemos que nos mudar novamente, dessa vez para um lugar que eu não conhecia ninguém, não conhecia o local, não tinha amigos.
Completando o ciclo de perdas, parei de jogar futebol de mesa após 10 anos como atleta federado, e meu relacionamento de 6 anos terminou. No mesmo período perdia duas coisas importantes. Passei a conviver somente com meu irmão e minha mãe, passava vários dias sem sair de casa.
Sem estudos, trabalho, sem o futebol, sem o namoro, com o tratamento psiquiátrico interrompido, e o isolamento cada vez maior, veio ela : a recaída.
Falava cada vez menos, me revoltava a cada dia mais, não aceitava a situação de vida em que estava, mas ao mesmo tempo não tinha força de vontade para mudar o panorama.
Logo o pensamento suicida tomava conta de mim, só me mantinha vivo por causa da minha família para não fazê-los sofrer, mas não tinha a mínima vontade de viver. O que fazia para passar os dias era esperar os jogos do Flamengo, a única coisa que me distraía durante duas horas a cada três dias. No fim de 2017 passei o pior natal e o pior ano novo da minha vida, sem ânimo nenhum, o significado dessas datas havia desaparecido....
2018 começou na mesma toada, até que dois acontecimentos começaram a mudar um pouco as coisas... Mas isso é assunto para o próximo post.
Até lá!